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Lula classifica captura de Maduro como inaceitável e pede julgamento local

Presidente brasileiro condena invasão para captura de líder venezuelano, mas mantém agenda de visita a Donald Trump em março para discutir crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (20), que o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro responda aos processos judiciais em seu próprio país, rejeitando a competência dos tribunais norte-americanos para o caso. A declaração foi dada em entrevista ao canal de televisão India Today, em Nova Délhi, onde Lula comentou a operação realizada por forças especiais dos Estados Unidos que retirou Maduro de Caracas e o transferiu para Nova York. As autoridades norte-americanas acusam o venezuelano de envolvimento com o comércio de substâncias ilícitas. A ação militar, ocorrida no início do ano, gerou repercussão global e foi criticada pelo governo brasileiro, que prioriza a estabilidade democrática e a soberania na região.

Lula classificou a incursão estrangeira para a captura de um chefe de Estado como uma violação da autonomia nacional que não pode ser normalizada. O presidente argumentou que, independentemente das acusações, o trâmite legal deve ocorrer sob a jurisdição venezuelana e sem intervenções externas. “Não podemos aceitar que o chefe de Estado de um país invada outro país e capture o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso, e não é aceitável”, afirmou. Ele reforçou a necessidade de respeito entre as nações: “Acredito que, se Maduro tiver de ser julgado, ele deve ser julgado no seu país, e não no estrangeiro. Não é aceitável a interferência de uma nação sobre outra nação”.

Cooperação bilateral e segurança pública

Apesar das divergências diplomáticas sobre a Venezuela, Lula enfatizou que mantém uma boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e confirmou uma visita a Washington prevista para março. O objetivo do encontro é apresentar uma proposta de ação conjunta contra o crime organizado. Lula cobrou reciprocidade na extradição de infratores, solicitando o retorno de brasileiros foragidos. “Se vamos combater o tráfico de drogas, mandem de volta para o Brasil esses criminosos, criminosos brasileiros que estão vivendo nos Estados Unidos, para que possam ser julgados no Brasil”, disse o presidente, indicando que a cooperação deve ocorrer sem submissão automática.

A pauta de minerais críticos também integra a agenda bilateral, com o Brasil adotando uma postura de proteção aos seus recursos naturais. O governo brasileiro sinalizou resistência em aderir a um conselho proposto pelos EUA, preferindo garantir que o processamento desses materiais ocorra em território nacional para agregar valor à exportação. “Prefiro negociar de forma soberana que o processo de transformação desses minerais críticos seja processado e exportado no nosso país, dentro do nosso país, e não fora do nosso país. E vamos vendê-los a quem quisermos vender. Não vamos aceitar imposições”, declarou Lula, defendendo a autonomia comercial do país.

Soberania na exploração de minerais

Para solucionar as questões pendentes, incluindo debates sobre tarifas comerciais, Lula aposta na diplomacia presidencial direta, dispensando intermediários burocráticos. O chefe do Executivo brasileiro acredita que o diálogo franco e presencial é a ferramenta mais eficaz para alinhar os interesses das duas nações e superar impasses. Ao projetar a dinâmica da reunião com o líder norte-americano, Lula foi enfático sobre a necessidade de transparência: “Tem de ser os dois chefes de Estado sentados lado a lado, olhando nos olhos um do outro, cara a cara, e dizendo tudo o que pensam. É isso que vai acontecer entre mim e o Trump”.

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