Testamenteiros de Jeffrey Epstein oferecem US$ 35 milhões em acordo judicial
Proposta visa encerrar ações pendentes contra administradores da herança do financista e aguarda homologação de juiz federal em Nova York
Os administradores do patrimônio do financista norte-americano Jeffrey Epstein apresentaram uma proposta para destinar até 35 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 182 milhões de reais, visando solucionar processos judiciais ainda em aberto movidos por dezenas de supostas vítimas. Conforme consta em documento judicial submetido na quinta-feira, dia 19, a validação do acordo depende da homologação por parte de um juiz federal em Nova York para que as medidas se tornem definitivas e os pagamentos possam ser efetuados aos envolvidos no litígio.
O montante financeiro sugerido está direcionado às pessoas que alegam ter sofrido danos causados pelo empresário. O texto da proposta especifica que o pagamento se relaciona a vítimas que afirmaram ter sido “agredidas sexualmente, abusadas ou traficadas por Jeffrey Epstein entre 1º de janeiro de 1995 e 10 de agosto de 2019”. Esta data final marca o momento em que o bilionário faleceu enquanto estava detido em uma unidade prisional. A oferta estipula o pagamento total de 35 milhões de dólares caso existam 40 ou mais indivíduos elegíveis no grupo, reduzindo-se para 25 milhões de dólares se o número for inferior a 40.
Papel dos administradores e termos legais
A gestão da herança e a assinatura deste acordo estão sob responsabilidade de Darren Indyke, ex-advogado do financista, e Richard Kahn, que atuou como seu contador. Ambos refutaram qualquer comportamento inadequado derivado de sua ligação com o autor de violência íntima, não tendo sido acusados de crimes dessa natureza nem de terem presenciado tais atos. Contudo, caso a proposta seja confirmada pela justiça, ela encerrará a ação inicial protocolada em 2024, na qual os dois assessores foram apontados como facilitadores das atividades ilícitas de Epstein através da prestação de seus serviços jurídicos e empresariais.
A decisão levada ao Tribunal Federal de Manhattan enfatiza que o acordo não representa uma admissão de culpa por parte dos testamenteiros, garantindo também que eles não estarão sujeitos a futuros processos pelas mesmas vítimas. O escritório de advocacia Boies Schiller Flexner LLP, que representa o grupo de afetados, ainda não emitiu comentários sobre o número exato de pessoas incluídas na ação. Informações veiculadas pela Bloomberg News indicam que a firma jurídica estava certa de que pelo menos 40 vítimas ainda não tinham chegado a um acordo com os representantes do espólio.
Documentos revelados e conexões influentes
Este movimento jurídico ocorre na sequência da divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de milhões de arquivos, incluindo fotografias e vídeos ligados à investigação. Durante sua trajetória, Epstein estabeleceu uma rede global composta por políticos influentes, executivos corporativos, acadêmicos e celebridades. A reputação dessas figuras públicas sofreu abalos significativos após a exposição de seus vínculos com o financista, cujas práticas de violência íntima e tráfico de pessoas geraram repercussão mundial e múltiplas batalhas judiciais que os administradores do espólio buscam agora finalizar.



