Déficit comercial de bens dos EUA atinge nível histórico de US$ 1,24 trilhão em 2025
Importações de suprimentos industriais impulsionaram o desequilíbrio em dezembro; dados podem impactar estimativas do PIB americano.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira que o país registrou um desequilíbrio histórico nas transações de mercadorias ao longo de 2025. O déficit no comércio de bens aumentou 2,1% no acumulado do ano, atingindo a marca recorde de US$ 1,24 trilhão. Em relação ao mês de dezembro, o déficit total, que engloba tanto bens quanto serviços, apresentou um salto expressivo de 32,6% na comparação com o mês anterior, somando US$ 70,3 bilhões. O resultado contrariou as expectativas do mercado financeiro, uma vez que economistas consultados pela Reuters projetavam um saldo negativo consideravelmente menor, de US$ 55,5 bilhões para o período.
Apesar do recorde negativo no segmento específico de bens, o déficit comercial total do ano de 2025 registrou uma leve retração de 0,2%, encerrando o período em US$ 901,5 bilhões. O relatório, que sofreu atraso na divulgação devido à paralisação do governo no ano anterior, aponta que a disparidade de dezembro foi impulsionada por uma forte elevação nas compras externas. As importações totais cresceram 3,6%, alcançando US$ 357,6 bilhões no último mês do ano. No recorte específico de bens, a alta foi de 3,8%, totalizando US$ 280,2 bilhões, movimento influenciado significativamente pela aquisição de insumos externos.
Tarifas e cenário industrial
O cenário econômico se desenrolou em meio às políticas comerciais do presidente Donald Trump, que impôs uma série de tarifas sobre mercadorias fabricadas no exterior ao longo do ano passado. A estratégia tinha como meta declarada corrigir desequilíbrios comerciais e proteger as indústrias norte-americanas. No entanto, os indicadores sugerem que as tarifas punitivas não resultaram em um renascimento da indústria nacional. Dados de emprego mostram que o setor fabril perdeu 83.000 postos de trabalho entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, indicando que as barreiras comerciais não foram suficientes para reverter a tendência de queda na manufatura local.
A análise detalhada do fluxo comercial revela que o aumento nas importações de bens foi impulsionado principalmente por um acréscimo de US$ 7,0 bilhões em suprimentos e materiais industriais. Entre os itens que mais contribuíram para essa variação positiva nas compras estão ouro, cobre e petróleo bruto. Essa movimentação intensa na entrada de produtos estrangeiros no final do ano ampliou a diferença entre o que o país vende e o que compra, refletindo diretamente no resultado mensal que divergiu das estimativas iniciais dos analistas de mercado.
Impacto nas projeções econômicas
A ampliação do déficit comercial acima do esperado pode levar os economistas a revisarem para baixo suas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao quarto trimestre. O dado preliminar sobre a atividade econômica deve ser divulgado na sexta-feira. O desempenho das exportações líquidas é um componente fundamental no cálculo do PIB, e um déficit ampliado geralmente atua como um redutor na contabilidade da expansão econômica nacional, sinalizando desafios contínuos para o equilíbrio das contas externas da maior economia do mundo.



