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Arquivos de Epstein revelam o que americanos pensam sobre impunidade da elite

Levantamento Reuters/Ipsos mostra ceticismo público após divulgação de documentos do Departamento de Justiça ligando financista a figuras influentes

Uma nova pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos indica que a população dos Estados Unidos percebe que indivíduos ricos e influentes raramente enfrentam consequências legais por seus atos. O levantamento foi conduzido após a divulgação de milhares de registros detalhando as conexões do falecido financista Jeffrey Epstein com círculos empresariais e políticos de elite no país. Os dados apontam para um sentimento generalizado de descrença no sistema de responsabilização de figuras públicas, surgindo em um momento em que o Departamento de Justiça, sob ordens do Congresso, expôs documentos que ligam o financista a nomes proeminentes antes e depois de sua condenação inicial em 2008.

De acordo com o estudo, cerca de 69% dos entrevistados afirmaram que suas opiniões foram refletidas “muito bem” ou “extremamente bem” pela declaração de que os arquivos de Epstein “mostram que pessoas poderosas nos EUA raramente são responsabilizadas por suas ações”. Outros 17% disseram que a frase descrevia seus pensamentos “razoavelmente bem”, enquanto apenas uma pequena parcela discordou. A percepção de falta de justiça atravessa barreiras ideológicas, já que mais de 80% dos participantes, tanto republicanos quanto democratas, concordaram pelo menos razoavelmente com a afirmação apresentada durante a pesquisa de quatro dias concluída recentemente.

Impacto político e renúncias corporativas

A divulgação dos arquivos gerou consequências imediatas no setor corporativo e político. As revelações ocorreram anos após Epstein ter falecido em uma cela de prisão em Manhattan, em 2019, em um episódio classificado pelas autoridades como ato em que ele tirou a própria vida. O material divulgado levou à renúncia de executivos de grandes empresas, como Goldman Sachs e Hyatt Hotels, após seus nomes serem citados. O escândalo permanece como um ponto sensível para o presidente Donald Trump, que enfrentou críticas sobre a transparência de seu governo em relação ao caso e suspeitas alimentadas por opositores devido ao seu convívio passado com o financista.

Documentos mostram que figuras como o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o médico Mehmet Oz tiveram interações com o financista, incluindo visitas e convites sociais, embora nenhum dos dois seja acusado de irregularidades. O presidente republicano, que conviveu com Epstein nas décadas de 1990 e 2000, negou qualquer conhecimento sobre os crimes do financista e afirmou ter rompido relações antes do acordo judicial firmado por Epstein no início dos anos 2000. A pressão política continua à medida que novos detalhes sobre a extensão da rede de contatos de Epstein vêm à tona através dos documentos oficiais liberados pela justiça norte-americana.

Divergência partidária sobre o futuro

Embora o ceticismo sobre a impunidade seja comum a ambos os lados do espectro político, existe uma divisão clara sobre a continuidade do debate público a respeito do tema. Quando questionados se concordavam com a frase de que “é hora do país deixar de falar sobre os arquivos de Epstein”, 67% dos republicanos disseram que isso capturava seu pensamento pelo menos razoavelmente bem, em contraste com apenas 21% dos democratas que compartilham da mesma opinião. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online em todo o território nacional, reunindo respostas de 1.117 adultos norte-americanos, apresentando uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

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