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Cuba à beira do colapso: falta de combustível para país e gera caos

Bloqueio de petróleo e queda no turismo afetam serviços essenciais, escolas e abastecimento de alimentos na ilha

Cuba atravessa um período de profunda instabilidade econômica, marcado pela escassez severa de combustível e pelo endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos. A administração de Donald Trump interrompeu o fluxo de petróleo para a ilha através de ações na Venezuela e pressões sobre o México, visando forçar reformas políticas no governo comunista. Sem aliados dispostos a subsidiar a economia local com os milhões de dólares necessários em energia, o país vê suas reservas se esgotarem rapidamente. O cenário afeta diretamente o turismo e a rotina da população, que enfrenta apagões constantes e a paralisação de serviços básicos, configurando um dos momentos de maior incerteza para os residentes em décadas.

O impacto é visível no setor de turismo, exemplificado pela trajetória de Mandy Pruna, proprietário de um Chevrolet 1957. Durante a reaproximação diplomática em 2015, seu veículo transportou celebridades e gerou renda significativa, um período recordado como próspero. “Todos os setores da sociedade se beneficiaram disso”, afirmou Pruna, destacando a abertura de novos negócios na época. No entanto, a realidade atual contrasta drasticamente com aquele momento, levando à perda simultânea de visitantes e de insumos para trabalhar. “Preciso de gasolina para poder trabalhar, preciso de turistas para poder trabalhar”, lamentou o motorista, ilustrando a dificuldade de subsistência.

Colapso de serviços e pressão externa

A falta de energia paralisou atividades essenciais em todo o território, com escolas suspendendo aulas e empresas dispensando funcionários para economizar recursos. A Sherrit International interrompeu operações de mineração, e voos internacionais foram cancelados por incapacidade de reabastecimento. O senador Marco Rubio declarou que o modelo cubano, historicamente dependente de auxílio externo, falhou ao perder seus financiadores. “Este é um regime que sobreviveu quase inteiramente de subsídios — primeiro da União Soviética, depois do (ex-presidente venezuelano) Hugo Chavez”, disse Rubio, ressaltando que, pela primeira vez, não há suporte financeiro vindo de aliados externos.

Além da crise energética, há risco iminente de desabastecimento alimentar, já que a maior parte do consumo depende de importações e a refrigeração de produtos é inviável com os apagões. A congressista Maria Elvira Salazar defende o corte total de assistência para enfraquecer a ditadura, apesar dos custos humanitários envolvidos. “Este é o momento de parar tudo: sem mais turismo, sem mais remessas, sem mais mecanismos que continuem a financiar e sustentar a ditadura”, afirmou Salazar. Empresas do setor privado suspenderam operações, incapazes de manter a cadeia de frio necessária para a conservação dos alimentos importados.

Escassez de alimentos e incertezas

O presidente Miguel Díaz-Canel solicitou que a população adote uma postura de resistência, alertando sobre as dificuldades logísticas para o transporte de comida entre os municípios. “Vamos comer o que pudermos produzir em cada lugar”, declarou o líder. Nos mercados, a inflação e a falta de produtos são evidentes, conforme relatou a vendedora Anayasi. “Não há comida. O impacto será terrível. Não teremos nada”, alertou. Diante da incerteza e da exigência de pagamento em moeda forte sem a presença de turistas, Mandy Pruna suspendeu sua licença de trabalho e considera imigrar. “Tudo é incerto no momento. Não há combustível. Não sabemos se haverá algum e como vamos pagar por ele”, concluiu.

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