Líder ativista Jesse Jackson falece aos 84 anos após luta contra doença degenerativa
Protegido de Martin Luther King Jr., reverendo enfrentava paralisia supranuclear e transformou a política
O reverendo Jesse Louis Jackson, figura central na luta pelos direitos civis e responsável por transformar a política norte-americana, faleceu aos 84 anos nesta terça-feira (17). A informação foi confirmada por um porta-voz da Coalizão Rainbow PUSH e pelo filho do ativista. Jackson, que foi protegido de Martin Luther King Jr., estava sob observação médica nos últimos meses devido ao diagnóstico de paralisia supranuclear progressiva (PSP). Segundo o comunicado oficial, o líder partiu durante a manhã, cercado por seus familiares.
A organização fundada por ele destacou o impacto global de sua trajetória em nota oficial, ressaltando sua importância para a democracia. “Seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade. Um incansável agente de mudança, ele deu voz aos que não tinham voz — desde suas campanhas presidenciais na década de 1980 até a mobilização de milhões para se registrarem para votar — deixando uma marca indelével na história”, dizia o texto divulgado pela instituição.
Legado político e a Coalizão Arco-Íris
Nascido na Carolina do Sul durante o período de segregação, Jackson ascendeu politicamente e lançou duas candidaturas à presidência na década de 1980, surpreendendo analistas pela capacidade de atrair eleitores de diferentes origens. Sua iniciativa, a Coalizão Arco-Íris, uniu negros, brancos, latinos e outras minorias, pavimentando o caminho para o progressismo no Partido Democrata. Sobre essa união, ele declarou: “Nossa bandeira é vermelha, branca e azul, mas nossa nação é um arco-íris — vermelho, amarelo, marrom, preto e branco — e todos nós somos preciosos aos olhos de Deus”.
Especialistas apontam que figuras como Barack Obama e Kamala Harris devem parte de seu sucesso ao terreno preparado por Jackson. David Masciotra, biógrafo do reverendo, afirma que o Partido Democrata multicultural de hoje começou com as campanhas do ativista. Ele lutou para alterar a distribuição de delegados nas primárias para um sistema proporcional, mudança que foi crucial para a vitória de Obama em 2008. Jackson rompeu a percepção de inviabilidade de candidaturas negras e superou expectativas em debates, onde, segundo Masciotra, “Acontece que ele não só se saiu bem, como muitas vezes venceu esses debates”.
Influência nas eleições e papel de pioneiro
Ao ser questionado se sentia mágoa por não ter se tornado o primeiro presidente negro, Jackson rejeitou a ideia, enfatizando seu papel de desbravador diante do cinismo da época. “Não, não faz sentido”, afirmou ele, explicando que precisou lidar com dúvidas sobre uma pessoa negra se candidatando. “Havia acadêmicos negros escrevendo artigos sobre por que eu estava perdendo meu tempo. Até mesmo negros diziam que um negro não conseguiria vencer.” Sua frase marcante, “Mantenham a esperança viva”, tornou-se um símbolo de sua atuação na justiça social, atravessando a era dos direitos civis até movimentos contemporâneos.



