Toffoli admite sociedade em resort mas nega repasses de Daniel Vorcaro
Ministro do STF afirma que participação na Maridt é legal e que não possui vínculo de amizade com investigado em inquérito da PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, emitiu um comunicado oficial para refutar alegações de que teria recebido quantias financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master. A manifestação do magistrado ocorre após a Polícia Federal identificar diálogos que sugerem tratativas financeiras envolvendo a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. Segundo as investigações preliminares, as mensagens interceptadas indicavam discussões sobre transferências para a referida companhia, o que motivou o esclarecimento público por parte do integrante da Corte.
De acordo com informações veiculadas pela imprensa, o conteúdo analisado pelas autoridades policiais mostra conversas entre os investigados que mencionam o nome do ministro e combinam pagamentos. A Maridt, foco das apurações, possui o magistrado em seu quadro de sócios. Em resposta à repercussão do caso, Toffoli confirmou sua participação societária na empresa, mas sustentou que todas as operações foram lícitas e que não houve recebimento de valores provenientes das pessoas citadas no inquérito, buscando esclarecer sua posição diante das suspeitas levantadas sobre as transações.
Legalidade da participação societária e normas da magistratura
Na nota divulgada, a defesa do ministro argumenta que sua atuação empresarial respeita os limites impostos pela legislação brasileira. O texto destaca que a Lei Orgânica da Magistratura permite a participação em sociedades, desde que o juiz não exerça funções administrativas. O comunicado detalha a natureza do negócio: “A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.” Além disso, reforça que ele é “apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”.
Outro ponto abordado no esclarecimento refere-se à cronologia dos fatos e à venda de participações. O ministro informou que a empresa Maridt integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até fevereiro de 2025, data em que a participação foi encerrada mediante operações de venda. Toffoli ressaltou que o processo judicial envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB só foi distribuído ao seu gabinete em novembro de 2025, meses após a saída da Maridt do grupo empresarial. Essa linha do tempo é utilizada pela defesa para afastar a hipótese de conflito de interesses nas decisões tomadas na Corte.
Ausência de vínculo pessoal e regularidade fiscal
Para finalizar o posicionamento, Dias Toffoli negou possuir qualquer relação de proximidade com os envolvidos nas investigações da Polícia Federal. O magistrado afirmou desconhecer o gestor do fundo mencionado nas transações e enfatizou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. Sobre a transparência de seus bens e rendimentos, a nota conclui assegurando que “Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição”, reiterando a regularidade de sua conduta fiscal perante os órgãos de controle.



