Pesquisa revela divergência entre homens e mulheres na avaliação de Lula
Levantamento mostra estabilidade no apoio feminino e queda numérica entre eleitores homens em cenário de polarização política
A mais recente pesquisa Quaest sobre a avaliação da gestão federal aponta para um cenário de estabilidade geral, porém com oscilações específicas quando os dados são estratificados por gênero. O levantamento indica que o recuo nos índices de aprovação do governo, embora esteja numericamente dentro da margem de erro, concentrou-se exclusivamente no eleitorado masculino. A análise detalhada dos números revela que, enquanto um grupo mantém o apoio, o outro apresenta sinais de afastamento em relação à administração do presidente Lula, evidenciando comportamentos distintos diante do cenário político atual.
De acordo com as informações coletadas entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, o comportamento dos segmentos divergiu significativamente no último mês apurado. Entre o eleitorado feminino, a aprovação manteve-se firme, fechando o período com 48% de avaliações positivas, superando a desaprovação de 44%. Já no recorte do eleitorado masculino, a trajetória foi oposta: a aprovação, que buscava recuperação em dezembro com 45%, caiu para 43% em fevereiro, enquanto a desaprovação se consolidou em patamares elevados, atingindo 53%.
Influência do discurso político e segurança
A literatura política e sociológica sugere que essa disparidade de gênero não ocorre por acaso. Com a aproximação do pleito eleitoral, a consolidação do nome de Flávio Bolsonaro como representante de uma vertente política específica influencia a percepção do público. O discurso focado em pautas de “lei e ordem”, armamento e uma retórica mais incisiva parece encontrar ressonância especificamente entre os homens. Essa comunicação, que por vezes flerta com o extremismo e a exaltação da força, tende a criar uma divisão clara baseada no gênero dos eleitores, afastando o público masculino das pautas governistas.
O fenômeno observado no Brasil reflete uma tendência verificada internacionalmente. Acadêmicos de diversas partes do mundo têm alertado para o chamado “gender gap” na política global. Em nações da Europa e nos Estados Unidos, nota-se um movimento similar de homens jovens e adultos migrando para espectros políticos de extrema direita. Esse grupo é atraído por narrativas que propõem o resgate de uma masculinidade tradicional e soluções de autoridade para questões complexas, distanciando-se das prioridades demonstradas pelo eleitorado feminino.
Dinâmica eleitoral e preferências sociais
No cenário brasileiro, esse movimento parece ser impulsionado pela figura de Flávio Bolsonaro, que busca herdar o espólio político do pai utilizando ferramentas de polarização já conhecidas. Em contrapartida, a base de apoio ao governo Lula permanece mais sólida entre as mulheres. A análise indica que, como a atual gestão historicamente prioriza o bem-estar da população e as políticas sociais, o segmento feminino demonstra maior identificação com essas diretrizes, mantendo-se como a parcela mais fiel ao projeto político do atual presidente.



