Grupo de monges encerra jornada de 3.700 km em Washington
Jornada espiritual atravessou nove estados e enfrentou inverno rigoroso para promover mensagem de união e compaixão
Cerca de 20 monges budistas, trajando suas tradicionais túnicas laranjas, estão programados para concluir nesta terça-feira (10) uma extensa peregrinação de 3.700 quilômetros até Washington, D.C., nos Estados Unidos. A iniciativa, denominada “Caminhada pela Paz”, teve início no estado do Texas há mais de três meses e atravessou nove estados americanos. O objetivo central do grupo é promover a conscientização sobre amor, bondade e compaixão, tanto em território norte-americano quanto globalmente. A chegada à capital federal marca o fim de um trajeto que mobilizou milhares de pessoas e gerou repercussão nas redes sociais, onde milhões de usuários acompanharam o progresso e enviaram mensagens de incentivo aos participantes.
Durante o percurso, os religiosos enfrentaram condições climáticas adversas, incluindo temperaturas de inverno congelantes, neve pesada e granizo, que atingiram desde o Vale do Ohio até a Nova Inglaterra. Em diversos momentos, os integrantes realizaram o trajeto descalços, acompanhados por Aloka, uma cadela resgatada que seguiu com o grupo. A jornada ocorre em um cenário de tensão social nos Estados Unidos, exacerbada por questões relacionadas à política de imigração e ao envio de tropas da Guarda Nacional para algumas cidades, situações que resultaram no falecimento de cidadãos e imigrantes. Apesar do frio ártico intenso e das dificuldades logísticas, a marcha prosseguiu como um símbolo de resistência pacífica e busca por harmonia espiritual.
Apoio popular e motivação
Ao longo das cidades visitadas, moradores locais enfrentaram o clima rigoroso para oferecer flores e demonstrar solidariedade aos peregrinos. Em Richmond, na Virgínia, Bob Anderson, de 74 anos, ressaltou a importância do ato: “Sinto que, em nosso país e no mundo neste momento, precisamos demonstrar nosso apoio à paz de todas as maneiras possíveis”, afirmou, complementando: “E esta é uma ótima maneira de fazer isso. É por isso que estou aqui”. O líder espiritual da ação, Bhikkhu Pannakara, esclareceu a natureza da iniciativa, enfatizando que o movimento não possui caráter de protesto político, mas sim de despertar interior. “Caminhamos não para protestar, mas para despertar a paz que já reside dentro de cada um de nós”, declarou Pannakara, acrescentando que a ação é “um lembrete simples, porém significativo, de que a união e a bondade começam dentro de cada um de nós e podem irradiar para as famílias, comunidades e a sociedade como um todo”.
A passagem do grupo pela Carolina do Norte contou com o reconhecimento oficial do governador Josh Stein, que agradeceu aos monges pela mensagem de justiça e igualdade. “Vocês estão inspirando pessoas em um momento em que tantas precisam de inspiração”, disse o governador. O itinerário completo incluiu os estados do Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia. Ao chegarem a Washington, a agenda dos monges prevê encontros com líderes espirituais e municipais, além de uma visita à Catedral Nacional e a realização de um retiro de meditação, consolidando o propósito espiritual da longa travessia.
Superação de obstáculos graves
Embora a recepção tenha sido calorosa na maior parte do trajeto, a “Caminhada pela Paz” enfrentou incidentes graves que colocaram em risco a integridade física dos participantes. Enquanto o grupo transitava por Dayton, no Texas, um caminhão colidiu com o veículo que fazia a escolta dos religiosos. De acordo com informações da mídia local, o acidente resultou em ferimentos para várias pessoas, sendo que ao menos dois monges sofreram lesões severas, levando um deles à necessidade de amputar a perna. Mesmo diante deste evento traumático, o grupo optou por continuar a jornada pelos Estados Unidos, honrando a mensagem original de paz e prestando homenagem aos companheiros feridos que não puderam concluir o caminho a pé.



