Macron prevê ataque dos EUA à Europa e faz alerta grave sobre futuro da UE
Presidente francês defende estratégia de proteção econômica e emissão de dívida conjunta para enfrentar desafios globais e reduzir dependência do dólar
O presidente da França, Emmanuel Macron, emitiu um alerta contundente às nações europeias, afirmando que o bloco deve estar preparado para enfrentar novos períodos de hostilidade por parte dos Estados Unidos. Segundo o líder francês, episódios recentes, classificados por ele como “momento Groenlândia”, devem servir de sinalização para que a União Europeia acelere a implementação de reformas estruturais que vêm sendo postergadas. O objetivo central dessa mobilização é consolidar o poder global do bloco e reduzir vulnerabilidades externas diante de um cenário geopolítico cada vez mais instável e competitivo.
Durante entrevistas concedidas a diversos periódicos da Europa, Macron ressaltou que a atual trégua nas tensões com Washington não deve ser interpretada como uma mudança definitiva de postura, apesar da pausa momentânea nas ameaças sobre comércio e tecnologia. Ele incentivou os líderes da União Europeia a utilizarem a cúpula realizada na Bélgica como um catalisador para injetar vigor nas reformas econômicas necessárias. A intenção primordial é aumentar a competitividade europeia e preparar o continente para lidar com a influência e as pressões exercidas tanto pela China quanto pelos Estados Unidos no cenário internacional.
Tensões comerciais e regulação digital
A postura recomendada pelo presidente francês diante de pressões externas é de firmeza e não de submissão. Em suas declarações aos jornais, ele pontuou: “Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo”. Macron complementou sua análise dizendo que “Tentamos essa estratégia por meses. Não está funcionando.” Ao classificar a administração Trump como sendo de caráter “abertamente antieuropeu” e interessada no “desmembramento” da UE, ele previu conflitos futuros, especialmente sobre normas tecnológicas. O líder alertou: “Nos próximos meses, os EUA vão, com certeza, nos atacar por causa da regulamentação digital”, referindo-se a possíveis tarifas caso a Lei de Serviços Digitais seja aplicada para controlar empresas de tecnologia.
A resiliência da Europa diante do cenário global foi outro ponto focal, com Macron descrevendo um desafio duplo vindo das duas maiores economias do mundo. Ele afirmou: “Temos o tsunami chinês no front comercial e temos instabilidade minuto a minuto do lado norte-americano. Essas duas crises representam um choque profundo — uma ruptura para os europeus”. Para enfrentar essa realidade complexa, ele defendeu que a “Europa precisa de proteção, não de protecionismo”. A análise sugere que o continente precisa fortalecer suas defesas econômicas e sua autonomia estratégica sem necessariamente fechar seus mercados, mas priorizando seus interesses internos.
Estratégia de dívida e soberania
Visando financiar investimentos de grande escala e contestar a hegemonia da moeda norte-americana, Macron renovou o apelo para a emissão de dívida comum pelo bloco de 27 nações. Ele observou que “Os mercados mundiais estão cada vez mais cautelosos com o dólar norte-americano. Eles estão buscando alternativas. Vamos oferecer a eles a dívida europeia”. O presidente francês também mencionou que os EUA estariam “se afastando do Estado de Direito”, o que torna as instituições europeias mais atrativas. A cúpula discutirá a estratégia “Made in Europe”, sobre a qual Macron concluiu: “Para mim, a estratégia econômica para tornar nossa Europa uma potência reside no que chamo de proteção, que não é protecionismo, mas sim preferência europeia”.



