Eleições em Portugal: campanha encerra sob fortes tempestades e favoritismo socialista
António José Seguro mantém ampla vantagem sobre André Ventura enquanto país lida com estragos climáticos que afetam a votação deste domingo
A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais em Portugal chega ao fim nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro de 2026, marcada por um cenário de calamidade climática e intensa disputa política. O pleito coloca frente a frente o socialista moderado António José Seguro, apontado como favorito pelas pesquisas de intenção de voto, e o líder da extrema-direita, André Ventura. A reta final da corrida eleitoral foi severamente impactada pelas condições meteorológicas adversas que atingiram o território português nas últimas duas semanas, obrigando os candidatos a alterarem suas agendas e transformando a gestão da crise em tema central dos discursos políticos às vésperas da votação decisiva.
Os fenômenos climáticos recentes, incluindo as tempestades Kristin e Leonardo, deixaram um rastro de destruição no país. Na semana anterior, ventos fortes resultaram em centenas de feridos e cinco pessoas faleceram no centro de Portugal. Diante do cenário, o primeiro-ministro Luís Montenegro reconheceu que a situação configura “É uma crise devastadora”, mas assegurou que os obstáculos para a realização do pleito eram “superáveis”. Embora a autoridade eleitoral tenha mantido a data geral, três municípios, incluindo Alcácer do Sal, adiaram a votação localmente para o dia 15 devido às cheias. O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, reforçou a necessidade de manter o calendário, citando o precedente da eleição durante a pandemia.
Estragos das chuvas e logística
O clima de tensão transbordou para o debate político, com André Ventura solicitando o adiamento nacional do pleito e criticando a gestão governamental. O candidato do partido Chega declarou: “Se não encontrarmos uma solução para adiar as eleições, tornamo-nos completamente inúteis como responsáveis políticos”. Em contrapartida, António José Seguro, que busca se posicionar como uma figura “de unidade”, endureceu o discurso ao se dizer “chocado” com a ineficácia dos serviços de emergência. Seguro lidera as sondagens com 67% das intenções de voto, conforme pesquisa do jornal Público, contra 33% de Ventura. O socialista venceu o primeiro turno com 31,1% e angariou apoios de diversos espectros políticos, enquanto o atual primeiro-ministro optou por não declarar apoio formal a nenhum dos candidatos nesta etapa.
Projeções e análise política
Analistas observam o pleito não apenas pela provável vitória socialista, mas pelo desempenho da direita radical. João Cancela, professor da Universidade Nova de Lisboa, explica que o resultado servirá para entender se haverá uma “consolidação” da base de Ventura ou uma “espécie de estagnação”. O especialista alerta ainda para o risco de “desmobilização” do eleitorado devido ao mau tempo e à previsão de vitória de Seguro. Resta saber se o contexto de crise favorecerá o discurso de Ventura por uma “refundação do sistema político” ou beneficiará o perfil de Seguro, visto como “mais apegado à ordem institucional vigente”, em um momento onde a estabilidade é demandada pela população.



