Brasil

Fugitiva do 8 de Janeiro cruza 5 países mas acaba presa após ser deportada dos EUA

Raquel de Souza Lopes foi condenada a 17 anos de prisão; ela fugiu para a Argentina e tentou asilo nos EUA

A cozinheira Raquel de Souza Lopes, de 54 anos, foi detida pela Polícia Federal no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, após ser deportada pelos Estados Unidos. Ela possui uma condenação de 17 anos de reclusão devido ao envolvimento nos eventos de 8 de janeiro, respondendo por delitos como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e associação criminosa. A captura ocorreu na última quinta-feira, marcando o fim de uma longa rota de fuga internacional empreendida pela brasileira para evitar o cumprimento da pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

A trajetória de evasão teve início em março de 2024, quando Raquel rompeu a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar em Joinville, Santa Catarina. Inicialmente, ela buscou refúgio na Argentina, permanecendo no país vizinho até novembro daquele ano com outros militantes. Com o início das detenções de foragidos brasileiros em território argentino, a condenada atravessou fronteiras passando pelo Peru, Colômbia e México, até cruzar a divisa com o Texas em janeiro de 2025, numa tentativa de evitar a extradição para o Brasil.

Detenção migratória e recursos negados

Ao ingressar em solo norte-americano, Raquel foi interceptada pela Polícia de Imigração e Alfândega (ICE) por entrada irregular no país. Durante o período em que permaneceu sob custódia em uma unidade prisional no Texas, a defesa contratada tentou reverter a ordem de deportação através de recursos judiciais, buscando garantir sua permanência nos Estados Unidos. No entanto, as solicitações foram indeferidas sucessivamente pelas autoridades locais, com a negativa final ocorrendo em janeiro deste ano, resultando no embarque forçado de volta ao território brasileiro juntamente com outros deportados.

Familiares contestam a sentença e alegam inocência quanto às acusações mais graves. Acenil Francisco, filho de Raquel, afirmou em entrevista anterior que a mãe sempre trabalhou no ramo de alimentação e questionou a capacidade dela de articular atos contra o governo. Em defesa da mãe, ele declarou: “A vida toda foi cozinheira. Como essas mulheres teriam capacidade intelectual, material, física, financeira, poder ou influência para dar um golpe de estado?”. Ele sustentou ainda que a participação se limitou a registros em vídeo: “Minha mãe nada quebrou não agrediu ninguém, não financiou nada. A única menção dela no processo (que foi ‘copia e cola’ para diversos processados) é ter filmado com o celular.”

Procedimentos legais e transferência prisional

Com a chegada ao Brasil e a formalização da prisão, a condenada deve iniciar o cumprimento da pena de 17 anos. O protocolo padrão nestes casos prevê o encaminhamento inicial para uma unidade prisional estadual próxima ao local do desembarque e da detenção pela Polícia Federal. Posteriormente, a defesa poderá solicitar ao Judiciário a transferência para um estabelecimento penal mais próximo da residência da família, em Santa Catarina. Até o momento, não houve novos comunicados oficiais por parte dos advogados sobre os próximos passos processuais.

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