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Miguel Falabella expõe que Globo não queria Wagner Moura como galã de novela

Autor contou em evento que precisou brigar com a direção da emissora para garantir papel de destaque ao ator na trama A Lua me Disse

Durante uma coletiva de imprensa realizada na Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, Miguel Falabella compartilhou detalhes sobre os bastidores da escalação para a novela A lua me disse, exibida em 2005. O autor e diretor revelou que a direção da TV Globo apresentou resistência inicial à escolha de Wagner Moura para o papel de protagonista masculino da trama. Segundo o relato de Falabella, a emissora não considerava que o ator se enquadrasse no perfil estético tradicionalmente exigido para os galãs da época, o que demandou uma postura firme do dramaturgo para garantir a presença do artista no elenco principal.

O impasse ocorreu devido aos padrões de beleza estabelecidos pela rede de televisão para os pares românticos no início dos anos 2000. Falabella narrou que precisou insistir de maneira contundente para que Moura fosse aceito, rejeitando a negativa dos executivos. Ao relembrar o processo de negociação, o escritor enfatizou sua determinação em contar com o talento do ator no projeto, independentemente das convenções da empresa. Sobre a defesa de sua escolha, Falabella afirmou: “O primeiro galã do Wagner fui eu que dei. Eu briguei por ele”. Ele detalhou ainda sua resposta à direção: “Eu falei: ‘Não, eu quero ele. Ele é foda’”.

Estreia de Wagner Moura em novelas da Globo

Na obra escrita em parceria com Maria Carmem Barbosa, Wagner Moura interpretou o personagem Gustavo, que fazia par romântico com Heloísa, vivida por Adriana Esteves. O papel representou a estreia de Moura em novelas da TV Globo, embora ele já tivesse conquistado reconhecimento prévio por trabalhos no teatro, no cinema e na série Sexo frágil. A oportunidade serviu como um ponto de virada, transicionando o ator de produções alternativas para o núcleo central da teledramaturgia, validando a intuição de Falabella sobre o potencial do artista como protagonista, apesar da resistência corporativa inicial enfrentada nos bastidores.

A parceria cênica entre Moura e Adriana Esteves foi citada pelo autor como um dos pontos altos da produção. Falabella destacou a qualidade artística entregue pela dupla, observando que o desempenho em cena justificou a insistência na escalação. Ao refletir sobre a química e o resultado das sequências exibidas durante o folhetim, o diretor mencionou: “Tem cenas dele com a Adriana Esteves memoráveis”. O êxito do personagem Gustavo acabou por auxiliar na ampliação da percepção sobre os perfis masculinos aceitos dentro do departamento de dramaturgia da emissora nos anos seguintes.

Reconhecimento internacional e prêmios recentes

Além das memórias sobre o passado, a conversa abordou a atual trajetória de Wagner Moura no mercado global. O artista foi eleito melhor ator de filme de drama no Globo de Ouro 2026 e concorre ao Oscar por sua atuação em O agente secreto, longa-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho, com a cerimônia agendada para 15 de março. Celebrando a evolução profissional do antigo colega de trabalho e seu destaque no cenário cinematográfico mundial, Miguel Falabella encerrou com uma observação sobre o crescimento do ator: “Tem gente que vai embora. E é lindo ver as pessoas florescerem”.

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