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EUA buscam acordo nuclear trilateral na ONU; China e Rússia reagem

Proposta americana visa substituir New START e limitar arsenal chinês; Pequim recusa e Moscou pede inclusão de europeus nas negociações.

Durante conferência sobre desarmamento realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (6), os Estados Unidos solicitaram formalmente a abertura de negociações para um novo tratado nuclear que envolva a Rússia e a China. A iniciativa ocorre no momento em que o acordo New START, pacto bilateral entre Washington e Moscou, expirou, gerando a necessidade de novos mecanismos de controle de armas atômicas. O subsecretário dos EUA para o controle de armas, Thomas DiNanno, defendeu que acordos apenas entre duas potências tornaram-se inadequados diante do atual cenário geopolítico e da expansão de arsenais globais.

A proposta norte-americana encontrou resistência imediata por parte das outras nações citadas. Representantes da China rejeitaram a inclusão no tratado, argumentando que seu poderio militar é consideravelmente inferior ao dos norte-americanos e russos, o que tornaria desnecessária a imposição de limites às suas capacidades neste momento. Paralelamente, o embaixador da Rússia na ONU apresentou uma contraproposta, afirmando que qualquer nova negociação deve incluir também o Reino Unido e a França, aliados dos Estados Unidos na Europa que possuem ogivas nucleares, ampliando o escopo para além do formato trilateral sugerido.

Expansão do arsenal chinês e falta de transparência

Washington justifica a pressão sobre Pequim citando o rápido crescimento do arsenal asiático. Dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) apontam que a China possui ao menos 600 ogivas nucleares, embora o número ainda seja distante das mais de 5.000 ogivas mantidas por EUA e Rússia individualmente. DiNanno acusou o governo chinês de opacidade em suas operações. “O governo dos EUA está ciente de que a China realizou testes explosivos nucleares. O arsenal nuclear inteiro da China não tem limites, nem transparência, nem declarações, nem mecanismos de controle”, afirmou a autoridade norte-americana durante o evento.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para comentar o fim do New START e reforçar a necessidade de um modelo atualizado. Em publicação na plataforma Truth Social, ele criticou o antigo pacto, classificando-o como falho diante das violações russas e das ameaças contemporâneas. “Deveríamos colocar especialistas nucleares para trabalhar em um novo tratado, aprimorado e modernizado, capaz de durar por muito tempo no futuro”, escreveu Trump, indicando que a renovação do acordo nos termos anteriores não é uma opção considerada pela atual administração.

Bastidores das negociações para novo pacto

Apesar dos impasses públicos, existem movimentações diplomáticas para evitar um vácuo regulatório total. Informações apuradas pelo site Axios indicam que autoridades dos EUA e da Rússia mantêm conversas sobre o prolongamento ou substituição do tratado, embora ainda sem consenso definido. Uma fonte da Casa Branca sinalizou que haverá anúncios sobre o tema em breve, mencionando a intenção de incluir a China. O New START, assinado em 2010, limitava os países a 1.550 ogivas estratégicas e previa inspeções mútuas, as quais foram suspensas durante a pandemia e não foram retomadas antes do vencimento do acordo.

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