Zelensky muda postura sobre acordo de paz após atitude da Rússia
Presidente ucraniano afirma que Moscou usou pausa solicitada pelos EUA para estocar mísseis e atacar infraestrutura no inverno
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comunicou nesta terça-feira (3) que a atuação da equipe de negociação do país passará por ajustes significativos. A decisão foi tomada em resposta a uma ofensiva de larga escala realizada pela Rússia contra as instalações energéticas ucranianas. A operação militar envolveu o lançamento de um número recorde de mísseis balísticos, atingindo pontos críticos da infraestrutura nacional justamente em um momento de queda acentuada nas temperaturas. O governo ucraniano avalia que a movimentação russa altera o cenário para as conversas diplomáticas que estavam programadas.
Segundo a avaliação de Zelensky, a pausa nas hostilidades, que havia sido sugerida pelos Estados Unidos, não foi utilizada por Moscou para fomentar o diálogo, mas sim para preparação logística bélica. O líder ucraniano argumentou que o adversário aproveitou o intervalo para acumular armamento e desferir o golpe durante o período climático mais severo. Ao comentar a tática empregada pelas forças russas, o presidente declarou: “O Exército russo explorou a proposta dos Estados Unidos de suspender brevemente os ataques não para apoiar a diplomacia, mas para estocar mísseis e esperar pelos dias mais frios do ano, quando as temperaturas em grande parte da Ucrânia caem abaixo de -20°C”.
Contexto das negociações em Abu Dhabi
Apesar da escalada na tensão militar, o cronograma diplomático prevê a continuidade dos encontros internacionais. Uma nova rodada de negociações de paz, envolvendo autoridades da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos, está agendada para começar nesta quarta-feira (4) em Abu Dhabi. O ataque recente ocorreu logo após o presidente russo, Vladimir Putin, ter concordado na semana anterior em suspender as ofensivas contra grandes cidades e a rede de energia até o domingo (1°). Essa trégua temporária havia sido estabelecida após um “pedido pessoal” do líder americano, Donald Trump, conforme informações divulgadas pelo Kremlin.
Os efeitos do bombardeio foram sentidos imediatamente pela população civil, com danos extensos registrados na capital do país. De acordo com o prefeito de Kiev, Vitaliy Klitschko, quase 1.200 edifícios residenciais situados em dois distritos da cidade tiveram o fornecimento de aquecimento interrompido devido aos estragos causados na infraestrutura de distribuição. A falta de aquecimento ocorre em um período crítico, expondo milhares de moradores ao frio intenso e complicando os esforços das equipes de emergência que trabalham para restabelecer os serviços básicos nas áreas atingidas.
Ofensiva deliberada contra o setor energético
Zelensky reforçou que a ação militar não foi aleatória, mas sim planejada para maximizar o impacto sobre a rede elétrica e a população civil. O mandatário classificou o episódio como “um ataque deliberado contra a infraestrutura energética, envolvendo um número recorde de mísseis balísticos”. A utilização massiva de drones e mísseis contra o sistema de energia, combinada com as condições meteorológicas adversas, impõe novos desafios para a delegação ucraniana, que agora busca recalibrar sua posição e estratégia antes do início das conversas nos Emirados Árabes Unidos.



