EUA enfrentam paralisação nacional após falecimentos em ações de imigração
Movimento pede suspensão de trabalho e consumo após ocorrências em Minneapolis; Trump critica manifestantes e defende agentes federais
Uma mobilização nacional foi convocada em diversas cidades dos Estados Unidos para esta sexta-feira, 30, com o objetivo de interromper atividades laborais, educacionais e comerciais. O ato, denominado “greve nacional sem trabalho, sem aulas e sem consumo”, surge como resposta às diretrizes de imigração da atual administração e aos recentes falecimentos de civis durante abordagens de agentes federais em Minneapolis. A organização da campanha National Shutdown declarou em seu site oficial que “A população das Twin Cities [Minneapolis e Saint Paul] mostrou o caminho para o país inteiro. Para acabar com o reinado de terror do ICE, precisamos parar tudo”. A iniciativa busca pressionar as autoridades a revisarem os procedimentos adotados pelo Departamento de Imigração e Alfândega (ICE).
A tensão aumentou após o falecimento da cidadã norte-americana Renee Good, de 37 anos, e do enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos, ambos vitimados em operações distintas em Minneapolis num curto intervalo de tempo. Organizadores apontam que há indignação com estes e outros casos, como o de Keith Porter Jr., que perdeu a vida em Los Angeles, e Silverio Villegas González, vitimado em um subúrbio de Chicago. A campanha alega que as vítimas foram atingidas “em plena luz do dia” enquanto exerciam direitos constitucionais. O governo federal sustenta que os agentes atuaram em legítima defesa em todas as ocorrências citadas, embora vídeos divulgados por ativistas busquem contestar a narrativa oficial das autoridades de segurança.
Posicionamento oficial e reação presidencial
O presidente Donald Trump utilizou a plataforma Truth Social para comentar o perfil de uma das vítimas recentes, classificando o enfermeiro falecido como um “agitador e, talvez, um insurrecionista”. Em sua publicação, o mandatário defendeu a atuação das forças de segurança e criticou o comportamento do manifestante em eventos anteriores. Trump escreveu que “A reputação de Alex Pretti caiu muito com o vídeo recém‑divulgado em que ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE”, fazendo alusão a uma gravação registrada dias antes do incidente fatal. A postura da Casa Branca mantém o apoio às operações do ICE, apesar das críticas vindas tanto de opositores democratas quanto de alguns republicanos preocupados com a escalada da tensão social.
A paralisação conta com o suporte de uma rede descentralizada que inclui organizações de direitos humanos, grupos estudantis e figuras públicas. Atores como Pedro Pascal e Edward Norton manifestaram apoio nas redes sociais e em entrevistas. Pascal publicou que “a verdade é a linha que separa um governo democrático de um regime autoritário”, enquanto Norton sugeriu ao Los Angeles Times a necessidade de “uma greve econômica nacional até que isso acabe”. Entidades como o Council on American–Islamic Relations e o grupo feminista CodePink também aderiram ao movimento, que visa impactar economicamente o país para forçar mudanças nas diretrizes de segurança interna.
Impactos no orçamento e negociações políticas
Paralelamente aos protestos, o cenário político em Washington envolve negociações orçamentárias complexas. A Casa Branca e legisladores democratas firmaram um acordo temporário para evitar a paralisação parcial da máquina pública, separando o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) do restante do orçamento federal por duas semanas. O presidente comentou o arranjo nas redes sociais, afirmando que os partidos “se uniram para manter a maior parte do governo financiada até setembro”. O acordo permite que as discussões sobre possíveis restrições às operações do ICE continuem no Congresso sem comprometer o funcionamento imediato de outros setores governamentais.



