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Fontes revelam plano secreto da CIA para operar na Venezuela antes da embaixada

Agência de inteligência busca estabelecer anexo no país para garantir segurança e influenciar novo governo durante período de instabilidade política.

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) iniciou movimentações discretas para fixar uma base permanente em território venezuelano. A iniciativa faz parte da estratégia do governo de Donald Trump para consolidar influência sobre o futuro político da nação sul-americana após a operação que resultou na detenção de Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026. Segundo fontes ligadas ao planejamento, as discussões entre a agência de inteligência e o Departamento de Estado visam definir o formato dessa atuação, tanto no cenário imediato quanto a longo prazo, considerando o atual contexto de transição e a instabilidade na segurança local.

Embora o restabelecimento das relações diplomáticas oficiais caiba ao Departamento de Estado, a administração norte-americana deve priorizar a inteligência para liderar o processo de reentrada no país. A curto prazo, a expectativa é que autoridades dos EUA operem a partir de uma instalação anexa da CIA, antecipando-se à reabertura formal da embaixada. Essa estrutura permitiria contatos informais com diversas facções políticas e a identificação de riscos. Uma fonte familiarizada com o processo destacou à CNN: “O Estado finca a bandeira, mas a CIA é quem realmente exerce influência”.

Estratégia de inteligência e segurança

A prioridade imediata consiste na implementação dessa base operacional para facilitar a comunicação com os serviços de inteligência locais. Um ex-funcionário do governo americano explicou que “estabelecer um anexo é a prioridade número um. Antes dos canais diplomáticos, o anexo pode ajudar a estabelecer canais de ligação com a inteligência venezuelana, o que permitirá conversas que diplomatas não podem ter”. Nesse contexto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, já realizou encontros com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e líderes militares. O objetivo é assegurar que a Venezuela não sirva de refúgio para adversários geopolíticos dos Estados Unidos, como China, Rússia e Irã.

A atuação da agência em solo venezuelano antecede a mudança de governo, com equipes monitorando padrões e movimentações meses antes da operação militar. Informações apontam que a decisão política de apoiar Rodríguez foi embasada em análises confidenciais sobre o impacto da saída de Maduro. Agora, a CIA deve assumir a responsabilidade de repassar dados sensíveis às novas autoridades locais. Conforme relatado por um antigo integrante do governo, “se for necessário informar a Venezuela sobre as preocupações relativas à China, Rússia e Irã, não será o Departamento de Estado que fará isso”, cabendo aos agentes de inteligência realizar os briefings após a desclassificação das informações.

Incertezas sobre planos futuros

Apesar das ações em andamento, os planos de longo prazo ainda carecem de diretrizes claras por parte da Casa Branca, mesmo diante das declarações do presidente Trump sobre a administração do país vizinho. Fontes indicam que a indefinição sobre os objetivos concretos da missão “complica as coisas”, mantendo incerto o cronograma para a reativação completa da embaixada em Caracas, fechada desde 2019. Enquanto isso, o Departamento de Estado nomeou a diplomata Laura Dogu para chefiar a Unidade de Assuntos da Venezuela, operando temporariamente a partir de Bogotá, na Colômbia, para gerenciar a equipe durante este período de transição.

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