O alerta de executiva do iFood sobre o futuro dos empregos com o avanço da IA
Integrante do conselho global destaca necessidade de inclusão e aponta riscos de desigualdade na adoção de novas tecnologias por empresas e governos
A transformação do mercado de trabalho impulsionada pela inteligência artificial é considerada um processo irreversível, embora o saldo final dessa mudança permaneça incerto quanto à criação ou eliminação de vagas. Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood e integrante do Global Future Council do Fórum Econômico Mundial, aponta que o desafio central no cenário atual é assegurar que essa revolução tecnológica ocorra de maneira equitativa. Durante sua participação nas discussões do evento, um ano após iniciar seu mandato no conselho, a executiva destacou a necessidade de estratégias conjuntas para mitigar impactos negativos. Ela afirmou: “É imutável que as ocupações vão mudar. A gente ainda não sabe se o saldo final será de mais empregos novos ou de menos, em relação aos antigos que vão ser eliminados. O nosso papel é desenhar uma transição positiva, com ação concreta de empresas e governos.”
O grupo de trabalho do qual Luana faz parte concentra-se em tecnologias emergentes e no futuro laboral, buscando estabelecer bases comuns e produzir resultados práticos para a sociedade. Entre as entregas recentes deste primeiro ano de atuação, destaca-se a publicação de um relatório sobre o tema no site da organização internacional. A executiva, que também possui experiência no BID e é cofundadora do Black Women Investment Network, ressalta a dificuldade de encontrar soluções isoladas para questões de escala global. Segundo Ozemela, “As discussões são muito complexas. Não são pessoas numa sala fechada que vão resolver os problemas do mundo. A gente está começando por reflexões iniciais, com um grupo diverso, e tentando construir algo aplicável para empresas e governos”.
Potencial de criação de vagas
Apesar das incertezas que cercam a automação, existem perspectivas otimistas sobre a implementação dessas ferramentas tecnológicas no cotidiano profissional. Luana citou a visão de Jensen Huang, CEO da Nvidia, empresa fabricante de chips para sistemas de IA, que defende um impacto líquido positivo na empregabilidade. O exemplo utilizado para ilustrar esse cenário envolveu a área médica nos Estados Unidos. Conforme relatou a conselheira: “Ele trouxe o caso dos radiologistas nos Estados Unidos. Com a IA, os serviços foram automatizados, e esses profissionais passaram a ter mais tempo para se dedicar aos pacientes. Isso aumentou a demanda pelos serviços e, em vez de destruir vagas, ampliou o número de empregos na área.”
Entretanto, há preocupações significativas quanto à resistência na adoção da tecnologia e o impacto desproporcional em trabalhadores em início de carreira. O receio é que a digitalização amplie disparidades já existentes no sistema econômico, prejudicando quem não tiver acesso às ferramentas. Luana alerta para o risco de exclusão e a necessidade de considerar a inclusão no crescimento econômico. Em sua análise sobre os riscos estruturais, ela pontuou: “As posições mais júnior tendem a ser as mais impactadas. Existe um medo real do que está em jogo. O risco maior é repetir, na transição digital, as desigualdades estruturais do sistema econômico atual. O estado natural da nossa economia é injusto. A gente pensa em crescimento sem considerar inclusão. Quem não tiver acesso a essas tecnologias vai ficar para trás.”
Dinâmica entre setores globais
A avaliação sobre o ambiente do Fórum em 2026 aponta para uma retomada de relevância com a presença de grandes líderes mundiais, embora a interação entre diferentes esferas apresente desafios de comunicação. A executiva observou que, enquanto no setor privado ainda há trocas reais de experiências, no âmbito público as posições parecem mais rígidas e focadas em validar pontos de vista pré-estabelecidos. Para os próximos anos, o objetivo do grupo é aprofundar o debate e transformar teorias em recomendações práticas. Luana concluiu sua análise sobre a velocidade das mudanças atuais afirmando: “A IA avançou demais no último ano. É irreversível. A gente vai viver em um mundo completamente diferente.”



