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Trump manda retirar exposição histórica e gera revolta na Filadélfia

Medida afeta o Parque Histórico Nacional da Independência e gera ação judicial por parte das autoridades locais contra o governo federal

Uma exposição dedicada à memória da escravidão nos Estados Unidos foi desmontada na Filadélfia, desencadeando um conflito institucional entre autoridades locais e a administração federal. O presidente da Câmara Municipal, Kenyatta Johnson, atribuiu a responsabilidade da ação ao governo de Donald Trump, classificando o ato como uma tentativa de alterar a narrativa histórica do país. Em resposta imediata à medida, o prefeito da cidade protocolou uma ação judicial para contestar a retirada dos materiais, que estavam situados no Parque Histórico Nacional da Independência, local de grande relevância para a memória nacional norte-americana.

De acordo com os argumentos apresentados no processo pela cidade, a intervenção ocorreu de forma abrupta e sem comunicação anterior com os gestores locais. O texto da ação judicial relata que, “Sem aviso prévio à cidade da Filadélfia, o Serviço Nacional de Parques removeu obras de arte e painéis informativos no local da Casa do Presidente que fazem referência à escravidão”. A estrutura estava localizada no sítio arqueológico da primeira residência oficial do executivo norte-americano, utilizada no período em que a capital federal ainda operava no estado da Pensilvânia.

Posicionamento das autoridades municipais

Kenyatta Johnson utilizou seus canais de comunicação para expressar repúdio à decisão, citando nominalmente a liderança do executivo federal e do departamento responsável pela gestão das áreas protegidas. Em sua declaração pública, o parlamentar afirmou: “É totalmente inaceitável que o Serviço Nacional de Parques, sob a direção do presidente Donald Trump e do secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, tenha removido exposições sobre a escravidão no local da Casa do Presidente, no Parque Histórico Nacional da Independência”. Para o representante municipal, a medida configura “um esforço para maquiar a história americana”.

A administração da Filadélfia aponta que o desmantelamento obedece, “presumivelmente”, a uma ordem executiva assinada pelo presidente em março de 2025. Segundo a justificativa do Executivo federal, a diretriz tem o objetivo de que se “restaura a verdade e a sensatez à história americana” ao atuar para “reverter a disseminação de ideologias divisivas”. O documento oficial da Casa Branca fez menção específica ao Parque Histórico Nacional da Independência, acusando a instituição de difundir o que a atual gestão classificou como uma “ideologia corrosiva”.

Contexto histórico da instalação

A mostra, intitulada “Liberdade e escravidão na criação de uma nova nação”, foi inaugurada em 2010 e prestava homenagem a nove pessoas escravizadas que viveram com George Washington na residência. A remoção dos painéis ocorre poucos meses antes do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, previsto para julho, ocasião em que o local terá destaque central nas celebrações. Ao criticar a decisão de apagar os registros visuais sobre o período escravocrata no local, Johnson concluiu enfatizando que “A história não pode ser simplesmente apagada porque é incômoda”.

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