Operação Barco de Papel: PF mira investimentos do Rioprevidência no Banco Master
Agentes cumprem mandados de busca contra dirigentes da autarquia após suspeitas de irregularidades e alertas do tribunal de contas do estado
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (23) a operação Barco de Papel, com o objetivo de investigar a legalidade de aportes financeiros realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. A ação mobiliza agentes para o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, tendo como alvos principais o presidente e outros dirigentes da entidade responsável pelas pensões estaduais. As autoridades apuram movimentações que somam aproximadamente R$ 1 bilhão, realizadas sob a justificativa de taxas de retorno mais atrativas do que as praticadas pelo mercado.
Segundo as investigações, os investimentos nos fundos geridos pela instituição financeira ocorreram ao longo dos anos de 2024 e 2025. A corporação informou que a finalidade das diligências é “apurar a suspeita de operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”. O regime de previdência atende atualmente cerca de 235 mil servidores inativos do estado e a operação busca esclarecer se houve gestão temerária dos recursos públicos destinados a essa finalidade.
Alertas sobre irregularidades financeiras
O histórico das transações já havia despertado a atenção dos órgãos de controle antes da ação policial desta sexta-feira. Em maio do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) emitiu alertas aos gestores sobre a existência de “graves irregularidades” na condução dos recursos. Posteriormente, no mês de outubro, a corte de contas endureceu o posicionamento e determinou uma tutela provisória que proibiu o fundo previdenciário de efetuar novas operações financeiras com o Banco Master, visando proteger o patrimônio da autarquia.
Em posicionamento oficial divulgado em novembro de 2025, a autarquia detalhou que o montante efetivamente aplicado totalizou cerca de R$ 960 milhões. O capital foi direcionado para Letras Financeiras emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com prazos de vencimento estendidos para 2033 e 2034. Na ocasião, o órgão comunicou que estava em tratativas para substituir esses ativos por precatórios federais e argumentou que a estratégia visava a rentabilidade da carteira de investimentos a longo prazo.
Segurança dos pagamentos de benefícios
Apesar das investigações em curso e dos questionamentos dos órgãos de controle, a entidade assegurou a manutenção dos benefícios aos inativos. Em nota, a gestão afirmou: “O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão”. A folha é custeada majoritariamente por receitas de royalties e participações especiais.



