Ucrânia, Rússia e EUA agendam primeiro encontro conjunto em Davos
Negociações de paz ganham novo impulso após conversa entre Trump e líder ucraniano; delegações se reunirão para tratar do fim do conflito
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comunicou nesta quinta-feira, 22, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, a realização do primeiro encontro oficial conjunto entre delegações de seu país, dos Estados Unidos e da Rússia. A iniciativa visa estabelecer diretrizes para o encerramento do conflito no leste europeu, marcando uma mudança significativa na dinâmica diplomática, visto que até o momento apenas reuniões bilaterais haviam ocorrido entre as nações envolvidas. A declaração foi feita logo após uma reunião privada com o presidente americano, Donald Trump, que também participa do evento na Suíça.
Antes do encontro, o líder republicano havia sugerido que a responsabilidade pela ausência de um acordo recaía sobre o governo ucraniano. No entanto, após as conversas presenciais, o tom adotado em relação a Moscou sofreu alterações. Ao falar com a imprensa sobre a reunião com Zelensky, Trump declarou: “O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar”. Essa nova rodada de articulações liderada por Washington representa a terceira tentativa de buscar um arranjo de paz desde o retorno do republicano ao poder há um ano.
Novas tratativas em Moscou
Para dar continuidade ao processo que parecia estagnado, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, têm viagem programada para Moscou ainda nesta quinta-feira, onde devem se reunir com Vladimir Putin. A movimentação diplomática em Davos incluiu também conversas prévias entre os representantes americanos, uma comitiva ucraniana e o negociador russo Kirill Dmitriev. O objetivo central é aproveitar o novo ímpeto nas tratativas para buscar um arranjo definitivo entre as partes beligerantes e superar os entraves anteriores.
Além das negociações diretas, Zelensky utilizou a plataforma do fórum para reiterar a necessidade de unidade entre os países europeus na defesa da soberania ucraniana. O mandatário alertou que a continuidade das hostilidades pode representar riscos para outras nações do continente. Apesar de manter uma postura respeitosa em relação a Trump, o ucraniano levantou dúvidas sobre o comprometimento dos Estados Unidos com a Otan, citando a crise gerada pela demanda americana sobre o controle da Groenlândia, território ligado à Dinamarca, membro fundador da aliança.
Crise na Otan e inverno
O cenário no terreno permanece crítico enquanto as discussões diplomáticas avançam. O conflito se aproxima de completar quatro anos no próximo mês, ocorrendo em meio a um inverno rigoroso. Recentes ofensivas russas comprometeram a infraestrutura local, deixando milhares de civis sem acesso a aquecimento e energia elétrica diante de temperaturas polares. A expectativa agora recai sobre a eficácia da reunião tripartite anunciada para frear a escalada de violência e estabelecer termos concretos para o fim das hostilidades na região.



