Ouro dispara 70% com novas medidas de Trump e atinge valor impressionante
Metal precioso torna-se refúgio para investidores diante de política externa agressiva e incertezas econômicas; dólar recua no período
A cotação do ouro registrou uma valorização expressiva superior a 70% ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos. O ativo, tradicionalmente buscado por investidores em momentos de instabilidade, renovou seus recordes históricos de preço, com contratos futuros negociados na bolsa ICE ultrapassando a marca de US$ 4.700 nesta terça-feira (20). O movimento de alta reflete a reação do mercado financeiro global diante das diretrizes de política externa adotadas pela atual administração norte-americana desde o retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.
No período de doze meses encerrado recentemente, o valor do metal precioso saltou de US$ 2,7 mil para o atual patamar de US$ 4,7 mil. Enquanto a commodity metálica experimentou esse crescimento robusto, outros indicadores apresentaram comportamentos distintos no cenário econômico. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 10% no mesmo intervalo. Em contrapartida, o Ibovespa, principal referencial do mercado acionário brasileiro, acumulou uma alta de 35%, demonstrando a volatilidade e a rotação de capital entre diferentes classes de ativos durante o período.
Impacto da geopolítica
A escalada nos preços é atribuída por analistas à postura da Casa Branca nas relações internacionais. O cenário inclui a imposição unilateral de tarifas de importação que afetam diversas economias, além de intervenções diretas em outras nações. O mercado reage a eventos como a entrada em território venezuelano, que resultou na retenção do presidente Nicolás Maduro e na mudança de liderança no país, detentor de grandes reservas de petróleo. Adicionalmente, ameaças de intervenção no Irã e pressões comerciais sobre a Europa, especificamente envolvendo o interesse na aquisição da Groenlândia junto à Dinamarca, intensificaram o clima de apreensão global.
Diante das medidas anunciadas por Washington, a União Europeia sinalizou a possibilidade de utilizar instrumentos de retaliação comercial, reacendendo o temor de disputas tarifárias. Esse ambiente de incertezas impulsiona governos, empresas e investidores a buscarem proteção financeira em ativos considerados refúgios seguros. A percepção de risco elevado no cenário macroeconômico favorece a alocação de recursos em metais preciosos, vistos como uma reserva de valor capaz de resistir a choques políticos e oscilações econômicas severas.
Diversificação de ativos
Especialistas do setor financeiro reforçam a importância da diversificação de investimentos neste contexto de instabilidade. Luis Ferreira, diretor de investimentos do EFG Private Wealth Management, analisa a função do metal no atual panorama. Segundo ele: “O ouro desempenha um papel estratégico na diversificação internacional de portfólios, podendo funcionar como um ativo de resiliência diante de cenários incertos. Em um ambiente global cada vez mais fragmentado, marcado por choques geopolíticos, mudanças nas relações comerciais e desafios fiscais, a inclusão do ouro ao lado de outros ativos internacionais, como moedas, ações, commodities e títulos de diferentes países, fortalece a capacidade de proteção e gestão de riscos”.



