Política

A nova estratégia de Eduardo Cunha em Minas Gerais para retornar ao poder

Ex-presidente da Câmara aponta estado como síntese do Brasil e adquire emissoras de rádio para fortalecer base eleitoral visando o pleito de 2026

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, definiu o estado de Minas Gerais como o local para sua tentativa de retorno ao cenário legislativo federal nas eleições de 2026. A escolha estratégica baseia-se na percepção do político de que a região funciona como uma representação fiel da realidade nacional, classificando o estado como uma “síntese do Brasil”. Para viabilizar o projeto, Cunha tem ampliado sua agenda em municípios mineiros e investido significativamente no setor de comunicação local, buscando consolidar uma base eleitoral fora do Rio de Janeiro, seu reduto histórico, e de São Paulo, onde não obteve êxito na tentativa anterior.

A justificativa para a mudança de domicílio eleitoral apoia-se na geografia e na demografia mineira, que, segundo o ex-parlamentar, reúnem traços econômicos e culturais de diversas partes da federação, antecipando tendências. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, ele detalhou essa visão geopolítica: “Você está perto de Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Há características do Nordeste no Norte do Estado e de São Paulo no Sul. O que acontece em Minas acaba acontecendo no Brasil”. Como argumento estatístico, ele utilizou os dados das eleições presidenciais de 2022, quando a disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro no estado apresentou percentuais extremamente próximos ao resultado final apurado em todo o território nacional.

Relevância política e críticas à gestão anterior

Ao analisar o peso de Minas Gerais, que possui o segundo maior colégio eleitoral do país, Cunha avaliou que a influência política do estado está atualmente abaixo de seu potencial real. Ele teceu críticas diretas à administração do Partido dos Trabalhadores entre 2015 e 2018, declarando que “Minas tem um papel muito maior do que exerce hoje. É o segundo colégio eleitoral do Brasil e foi muito aviltada. O que aconteceu no governo de Fernando Pimentel foi um desastre”. Para o pré-candidato, o objetivo central de sua movimentação política é “recuperar Minas é recolocar o Estado no centro do debate nacional”, mantendo a tese de que o desempenho nas urnas mineiras serve historicamente como um “termômetro do País”.

A articulação política é acompanhada por uma expansão nos negócios de radiodifusão, replicando uma tática utilizada anteriormente no Rio de Janeiro para manutenção de popularidade. Em Belo Horizonte, Cunha é proprietário da rádio Maravilha FM, com grade voltada ao público evangélico, onde realiza participações frequentes. Além disso, o grupo familiar estendeu sua influência para o interior. Daniel de Sá, genro do ex-deputado, figura como sócio em cinco emissoras localizadas em cidades como Além Paraíba, Carangola, Guarani, Raul Soares e Leopoldina, com registros efetuados entre 2024 e 2025. Essa estrutura de comunicação visa dar suporte à capilaridade da campanha em diferentes regiões do estado.

Histórico parlamentar e contexto eleitoral

Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, período em que teve seu mandato cassado em decorrência de investigações da Operação Lava Jato. Após exercer quatro mandatos consecutivos como deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 2003 e 2018, ele tentou retornar à vida pública em 2022 disputando uma vaga por São Paulo, mas não conseguiu se eleger. Atualmente, a representação política da família no Rio de Janeiro é mantida por sua filha, a deputada Dani Cunha, que obteve vitória no último pleito legislativo com votação expressiva. A nova investida em Minas Gerais marca uma tentativa de reinserção direta do ex-parlamentar no Congresso Nacional.

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