Brasil

Renan Calheiros critica TCU e anuncia devassa nas contas do Banco Master

Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos quer acesso a inquéritos da Polícia Federal e critica sigilo imposto pelo STF nas investigações

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), atual presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, comunicou oficialmente neste sábado (17) que o colegiado adotará medidas incisivas no âmbito das apurações sobre o Banco Master. A iniciativa visa esclarecer supostas irregularidades e fraudes atribuídas aos executivos da instituição financeira. Segundo o parlamentar, a comissão não apenas solicitará a cópia integral de documentos pertinentes ao caso, mas também procederá com a convocação de indivíduos ligados às investigações para prestarem esclarecimentos aos senadores sobre as operações suspeitas.

Além de anunciar os próximos passos da comissão, Calheiros expressou descontentamento com a postura do Tribunal de Contas da União (TCU) em relação ao processo. O órgão de controle iniciou uma apuração questionando a decisão técnica do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, foi o responsável por abrir a inspeção, movimento que gerou controvérsia por ser interpretado, por parte de especialistas e agentes públicos, como uma interferência indevida nas prerrogativas regulatórias exclusivas da autoridade monetária nacional.

Pressão política e críticas ao tribunal

O cenário político em torno do caso ganhou novos contornos com as declarações de Renan Calheiros direcionadas a Arthur Lira (PP-AL), seu adversário político regional. O senador sugeriu haver interferência externa nos trabalhos da corte de contas para proteger interesses específicos. Em sua fala, ele destacou a função original do tribunal e denunciou supostas influências: “O TCU, por exemplo, é um braço do legislativo para proteger os interesses do País, e não para encobrir malfeitos. Nós temos recebidos informação de uma forte pressão do presidente da Câmara dos Deputados e do ex-presidente sobre um setor do TCU”.

A condução do inquérito no âmbito do Judiciário também foi alvo de observações por parte do presidente da CAE. As investigações da Polícia Federal estão sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e permanecem sob sigilo. Houve um episódio recente em que o ministro determinou que as provas obtidas em buscas ficassem custodiadas no STF, recuando posteriormente para permitir a análise pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. Sobre a falta de transparência no processo, Renan foi enfático ao declarar: “Ele tem que tornar as coisas públicas”.

Requisição de documentos e inquéritos

Para fundamentar os trabalhos da Comissão de Assuntos Econômicos, será realizado um levantamento abrangente de dados junto a diversos órgãos fiscalizadores e de controle. A estratégia foi detalhada pelo senador em vídeo divulgado na rede social X, onde ele especificou a amplitude dos pedidos que serão formalizados nos próximos dias. O objetivo é cruzar informações de diferentes esferas para entender a dimensão das fraudes. “Vamos requisitar todos os documentos já existentes sobre o Banco Master no Banco Central, no Tribunal de Contas da União na CVM e os inquéritos da Polícia Federal”, afirmou o parlamentar.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo