Bispo da Sara Nossa Terra prestará auxílio espiritual a Jair Bolsonaro
Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra, foi liberado pelo STF para realizar acompanhamento religioso semanal na unidade prisional
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deferiu o pedido para que o bispo Robson Rodovalho preste assistência espiritual semanal a Jair Bolsonaro. A autorização permite a entrada do líder religioso no Complexo da Papudinha, local para onde o ex-presidente foi transferido recentemente. Rodovalho, que é o fundador da comunidade evangélica Sara Nossa Terra, possui um histórico de aliança e amizade com o ex-chefe do Executivo, relação que se estende por décadas. A medida visa garantir o direito à assistência religiosa dentro da unidade prisional, conforme solicitado pelos advogados de defesa.
A solicitação formal apresentada pela defesa de Bolsonaro ao STF incluía a indicação de dois líderes religiosos atuantes em Brasília: o próprio bispo Rodovalho e o deputado distrital Thiago Manzoni, filiado ao PL. Manzoni, além de sua atuação parlamentar, é identificado como Pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni e exerce ministério na Igreja IDE, localizada no Jardim Botânico. A estratégia da defesa buscou nomes que pudessem oferecer, simultaneamente, o suporte pastoral necessário e manter uma proximidade política no ambiente de custódia, unindo a fé ao alinhamento ideológico dos envolvidos.
Perfil do líder religioso
Natural de Anápolis, em Goiás, e atualmente com 70 anos, Robson Rodovalho construiu uma trajetória que intercala a liderança eclesiástica com a atuação na vida pública. Ele fundou a Sara Nossa Terra em 1992, em parceria com sua esposa, Maria Lúcia Rodovalho, expandindo a denominação para mais de mil templos em todo o território nacional. Sua influência no segmento evangélico é ampliada pela presidência do Conselho de Bispos e Pastores do Brasil (Concepab) e pelo comando de veículos de comunicação, como a Rede Gênesis de Televisão e a Rede Sara Brasil FM. No campo político, exerceu mandato de deputado federal pelo Distrito Federal entre 2007 e 2011, período em que consolidou laços com Bolsonaro.
Além da atuação religiosa e política, o bispo possui uma formação acadêmica que se destaca no cenário pastoral. Ele é graduado em Física pela Universidade Federal de Goiás (UFG), instituição onde também atuou como docente. Seu currículo acadêmico inclui ainda um doutorado em física quântica e espiritualidade, título obtido pela Florida Christian University, nos Estados Unidos. Essa combinação de ciência e fé é uma das marcas de sua biografia, que agora ganha novo capítulo com a função de conselheiro espiritual do ex-presidente durante o período de reclusão.
Rigor na unidade prisional
A concessão do benefício de assistência religiosa ocorre em um contexto de rigorosas normas disciplinares estabelecidas para a custódia do ex-mandatário. O ministro Alexandre de Moraes, ao comentar sobre a transferência e as condições de encarceramento, reforçou que o tratamento dispensado deve seguir estritamente as regras do sistema penal. Em declaração sobre o ambiente na unidade, o magistrado afirmou categoricamente: “Não é hotel e nem colônia de férias”. A presença do bispo será, portanto, regulada pelas normas de segurança vigentes no complexo, garantindo o cumprimento da pena sem privilégios injustificados.



