Frustração na Globo: Erom Cordeiro revela bastidores de beijo gay censurado em novela
Ator detalha a expectativa do público para a cena com Bruno Gagliasso em 2005 e analisa a representatividade na TV
O ator Erom Cordeiro revisitou os bastidores da teledramaturgia ao comentar a gravação de uma cena homoafetiva na novela América, da TV Globo, em 2005. Na trama, ele interpretava o peão Zeca, que vivia um romance com Júnior (Bruno Gagliasso). A dupla gravou a sequência para o último capítulo, mas o material foi excluído da edição final.
Quase duas décadas depois, o intérprete detalhou a mobilização dos telespectadores. Em entrevista à revista Quem, ele explicou o efeito da exclusão. “Foi uma cena assim muito emblemática e muito importante. Inclusive, a coisa dela não ter passado eu acho que fez ela repercutir ainda mais, porque lembro que na época o Brasil todo ficou querendo assistir e se perguntando: ‘Vai passar ou não vai passar?’ Parecia final de Copa!”, declarou.
bastidores da cena cortada de Erom Cordeiro e Bruno Gagliasso
A decisão gerou frustração nos bastidores. Apesar disso, ele avalia de forma positiva o papel da dramaturgia. “A gente foi pego de surpresa [com o corte da cena], mas a arte permite que a gente toque em assuntos que a sociedade considera tabus. Seja em uma novela ou no teatro, a gente tem a oportunidade de jogar luz para determinados temas. Quando eu, enquanto artista, tenho essa possibilidade de estar dentro de uma engrenagem que permita isso, fico muito feliz”, pontuou.
O impacto do corte refletiu na percepção internacional sobre a produção brasileira. O artista compartilhou uma experiência com colegas estrangeiros. “Na época, após a novela, fiz um trabalho com uma equipe de atores portugueses e falei que teve essa polêmica. Eles não acreditaram, disseram que na televisão portuguesa já tinha passado há mais de dez anos uma cena de beijo [entre homens]. Aqui no Brasil é uma questão.”, relatou.
representatividade na TV após a novela América
O primeiro beijo entre homens em novelas ocorreu apenas em 2014, em Amor à Vida. Analisando o cenário atual, Erom Cordeiro aponta limitações. “Os avanços existem, mas eles são muito pequenos. Você vê novelas com casais LGTBs dando selinho, enquanto tem uns 56 casais se beijando de boca aberta, entendeu? A LGBTfobia ainda é muito forte, e tem uma ala conservadora que cresce cada dia mais no Brasil. A gente tem que comemorar os avanços, mas não dá para retroceder.”, finalizou.



