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Javier Milei ataca Lula e STF durante visita ao Brasil em meio a crise na Argentina

Presidente argentino enfrenta queda de popularidade em seu país e usa agenda internacional para confrontar opositores políticos.

O presidente da Argentina, Javier Milei, desembarcou em São Paulo no último fim de semana para participar da convenção do Partido Liberal, evento que confirmou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante sua passagem pelo território brasileiro, o mandatário proferiu um discurso com críticas diretas a dois dos três Poderes da República. O líder argentino direcionou ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a um ministro do Supremo Tribunal Federal, além de manifestar apoio a indivíduos condenados pelos atos contra a sede dos Três Poderes.

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A relação diplomática entre os dois chefes de Estado é marcada por divergências públicas e distanciamento. Enquanto o político argentino enxerga tendências autoritárias no atual governo brasileiro, Lula demonstra descontentamento com o perfil de liderança do país vizinho. O histórico de atritos inclui a interferência no processo eleitoral argentino, quando o petista apoiou abertamente Sergio Massa e visitou Cristina Kirchner, exibindo um cartaz com a frase “Cristina livre.”. Em contrapartida, o STF negou o pedido do líder estrangeiro para visitar Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar.

Javier Milei e as polêmicas internacionais com Gustavo Petro e Lula

Conhecido pelo apelido de “El Loco”, o chefe do Executivo argentino utiliza uma retórica agressiva como estratégia de comunicação política. Em embates recentes com outros líderes sul-americanos, ele respondeu a comparações feitas por Gustavo Petro classificando o presidente da Colômbia como “Assassino, terrorista, comunista.”. Já em relação ao mandatário brasileiro, o político costuma utilizar a expressão “versão argentina do ex-presidiário” para se referir a Cristina Kirchner, traçando um paralelo direto com Lula, a quem dedicou um longo manifesto durante sua estadia na capital paulista.

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Autodeclarado anarcocapitalista, o governante afirma que mantém uma “conversa” frequente com divindades e que recebeu uma “missão” divina para livrar seu país do “mal”. Sua trajetória pessoal também envolve episódios incomuns, como a decisão de “reencarnar” seu cachorro falecido em 2017 por meio de clonagem nos Estados Unidos. O comportamento excêntrico, muitas vezes interpretado como “loucura”, funciona como uma ferramenta para manter sua base engajada através da lógica do “nós contra eles”, agora aplicada também às relações exteriores.

Crise de popularidade de Javier Milei na Argentina

Apesar de buscar consolidar uma “candidatura” informal à liderança da direita na América Latina, o cenário interno apresenta desafios significativos para o governo. Após trinta meses de gestão, a administração federal registra altos índices de desaprovação entre os eleitores locais. A estratégia de manter um confronto aberto e permanente tem gerado desgaste político, dificultando a capacidade do presidente de reverter a desconfiança da população argentina, mesmo apresentando alguns resultados positivos na área econômica.

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