O detalhe assustador que a onda de calor na França revelou sobre as casas de repouso
Falta de ar-condicionado em hospitais e asilos agrava o impacto das altas temperaturas, gerando superlotação em necrotérios de cidades como Paris.
A recente onda de calor na França gerou sobrecarga no setor funerário. Gautier Caton, profissional com 25 anos de atuação, alugou contêineres refrigerados para acomodar o volume de vítimas, três vezes maior que o normal. Suas instalações em Orléans receberam demandas de Paris. “A região de Paris foi duramente atingida ; eles estavam em crise”, explicou. “Depois, a situação chegou até nós, em Orléans, onde nossas instalações funerárias ficaram extremamente superlotadas. Fomos atingidos com força total.”, relatou.
O cenário expõe o confronto do país com o aquecimento global, envelhecimento populacional e limitação de recursos. Temperaturas de 43,8 graus Celsius provocaram incêndios e superlotação hospitalar. Dados preliminares indicam 2.025 vítimas fatais em excesso, com aumento de 65% nos falecimentos na capital e 50% na região central. O clima extremo acelerou a perda de idosos em instituições sem climatização.
Efeitos da onda de calor na França preocupam autoridades em Paris
François Bourdillon, ex-diretor de saúde pública, avalia que falhas estruturais persistem desde 2003. Ele defende ações “para transformar o país e prepará-lo para lidar com epidemias de calor”. Sobre a evolução do sistema, declarou: “A lição de 2003: éramos cegos. Não somos mais cegos; isso é certo. Temos indicadores e soamos o alarme”. Porém, alertou: “A lição de 2026: bem, não é suficiente. Estamos numa espécie de distopia em que podemos lidar com os efeitos da onda de calor… mas esquecemos as questões estruturais.”
A vulnerabilidade é evidente nos asilos. Uma pesquisa governamental revelou que 41% das instituições não possuíam áreas comuns climatizadas. Em uma unidade, residentes foram agrupados na única sala com refrigeração. A enfermeira-chefe Beatrice Noyer relatou exaustão, afirmando: “Não olho mais a previsão do tempo”. Sobre a falta de investimentos, ela expressou pessimismo. “Mas, por enquanto, nada acontece, e não tenho certeza se acontecerá”, disse.
Alta de óbitos por calor em Orléans expõe crise no país
Os falecimentos em domicílio registraram alta de 91% no final de junho. Na funerária de Caton, esse atendimento saltou de 25% para 80% no pico das temperaturas. O volume incluiu indivíduos que faleceram sozinhos. O ministro Sébastien Lecornu prometeu recursos para climatizar hospitais, mas o governo lida com o desafio de equilibrar tais investimentos com a redução do déficit público.



