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Por que as tarifas de Trump contra o Brasil vão fracassar e dar força política a Lula

O economista Paul Krugman publicou um artigo explicando os motivos pelos quais as sanções americanas motivadas pelo Pix não atingirão seus objetivos.

O economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel, publicou um artigo nesta segunda-feira avaliando que as tarifas de Trump impostas ao Brasil não atingirão seus objetivos. As medidas comerciais, que entram em vigor na próxima quarta-feira, visam sobretaxar produtos nacionais exportados para os Estados Unidos, como carne bovina, café e suco de laranja. Segundo a análise do especialista, a estratégia americana de retaliação comercial resultará no fortalecimento político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário interno.

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O professor da Universidade da Cidade de Nova York argumenta que a motivação central das sanções está ligada ao sucesso do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. Em seu texto, ele aponta que “Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso” e complementa que, “Economicamente, o alcance das tarifas será limitado”. O acadêmico indaga os motivos da retaliação americana com a seguinte reflexão: “Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?”.

Motivações políticas por trás das tarifas de Trump contra o governo Lula

Além da questão tecnológica, o artigo sugere que existem fatores políticos influenciando as decisões da Casa Branca. O economista escreve que, “De certa forma, a administração Trump ainda tenta punir o Brasil por ser uma verdadeira democracia”. Ele justifica essa visão afirmando que, “Ao contrário dos EUA, o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por tentar fomentar uma revolta após perder a última eleição”. O texto também menciona que “Este governo se opõe ao progresso, sempre que o progresso contraria os interesses e a ideologia dos oligarcas que investiram dinheiro na campanha de Trump e no seu bolso”.

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O governo americano demonstra preocupação com a possibilidade de sistemas semelhantes ao modelo brasileiro ameaçarem a hegemonia do dólar, embora o autor considere o mercado nacional “pequeno demais para provocar impacto no sistema global de pagamentos”. A verdadeira ameaça à moeda americana, segundo a publicação, seria a adoção de um euro digital pelo Banco Central Europeu até 2029. Sobre a ausência de uma inovação similar nos Estados Unidos, o especialista explica: “Não porque seja uma má ideia – como o Brasil demonstrou, seria uma ótima ideia. Mas existem poderosos grupos de interesse que se opõem a qualquer iniciativa desse tipo.”

Impacto das tarifas de Trump na economia e a visão de Paul Krugman sobre o futuro

Para embasar sua conclusão, a publicação cita a perspectiva da economista brasileira Monica de Bolle, que também projeta um efeito restrito das sanções sobre a economia do país. A análise converge para a ideia de que as medidas protecionistas americanas acabarão consolidando a posição do atual governo brasileiro diante da comunidade internacional. Finalizando sua avaliação sobre as políticas comerciais adotadas pela atual gestão dos Estados Unidos, o vencedor do Nobel de Economia decreta: “Mas a evidente insensatez dessas novas tarifas não impedirá que elas aconteçam. O governo Trump declarou guerra ao futuro”.

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