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Ex-prisioneiro ucraniano denuncia tortura e abuso sexual durante mais de três anos em cativeiro russo

Relato foi apresentado ao Conselho de Segurança da ONU; Rússia nega as acusações e afirma que denúncias fazem parte de uma campanha de desinformação.

O ex-prisioneiro de guerra ucraniano Khuan Alberto Leyva Garsiya afirmou ter sido submetido a torturas, choques elétricos e violência sexual durante os 1.183 dias em que permaneceu sob custódia russa. O testemunho foi apresentado em uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), onde ele descreveu o período de detenção como marcado por agressões constantes e tentativas de destruição psicológica.

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Segundo Garsiya, ele sofreu espancamentos diários, foi vítima de abusos sexuais e presenciou a morte de dois amigos após serem agredidos em centros de detenção na região de Donetsk. O ex-prisioneiro também relatou que os detidos viviam em alojamentos superlotados, sem condições sanitárias adequadas, o que favorecia a disseminação de doenças.

Filho de pai cubano, Garsiya afirmou que era frequentemente alvo de tratamento diferenciado devido ao seu nome de origem latina. De acordo com seu relato, guardas russos o acusavam de ser um “mercenário” e um “espião americano”.

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Durante a reunião, representantes da ONU apresentaram dados indicando que mais de 95% dos prisioneiros ucranianos entrevistados relataram ter sofrido tortura ou maus-tratos enquanto estiveram em cativeiro na Rússia. Mais da metade também denunciou episódios de violência sexual, incluindo estupros, agressões durante a nudez forçada e choques elétricos aplicados em partes íntimas do corpo.

A secretária-geral adjunta da ONU para Direitos Humanos, Claudia Fuentes Julio, declarou que as violações contra prisioneiros de guerra e civis ucranianos continuam ocorrendo de forma ampla e sistemática. Segundo ela, desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a organização documentou a execução de 129 prisioneiros ucranianos logo após a captura e a morte de outros 48 enquanto permaneciam sob custódia. A ONU também registrou denúncias de espancamentos, ataques com cães, falsas execuções e outras formas de violência.

Autoridades ucranianas afirmam ter identificado mais de 300 locais de detenção administrados pela Rússia em seu território e em áreas ocupadas. De acordo com Kiev, mais de 9 mil ucranianos já foram libertados em trocas de prisioneiros, mas milhares ainda permanecem detidos.

Em resposta às acusações, representantes da Rússia rejeitaram as denúncias durante a reunião da ONU. A delegação russa classificou os relatos como parte de uma campanha de desinformação e acusou a Ucrânia de também cometer abusos contra prisioneiros russos.

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